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A falta de informação sobre a anestesia faz com que as pessoas tenham medo do procedimento
Foto: Revista Plástica & BelezaAntes de uma cirurgia plástica, alguns fantasmas rondam a cabeça da paciente. Mas um, em especial, pode tirar o sono de muitas pessoas. Trata-se da anestesia, etapa principal de segurança de quem vai fazer não só uma plástica, como qualquer outra operação.
Segundo o anestesiologista Fabrício Veloso, da Clínica Dream Plastic (SP) e membro da equipe da SAEP – Serviço de Anestesia Especializado em Plástica, “quando as pessoas dizem ter medo, geralmente se referem à anestesia geral, que leva a um estado de perda da consciência, causando o medo de não ‘voltar'”.
O especialista lembra, ainda, que muitos problemas que acontecem durante uma cirurgia são erroneamente atribuídos à anestesia. “Somado a isso, há muita desinformação quanto à realidade da especialidade, provocando o medo do desconhecido”, explica.
Mas os motivos para preocupações têm sido cada vez menores. Graças ao maior conhecimento que há hoje em dia e a possibilidade de aplicá-lo nos pacientes, a margem de segurança desta etapa aumentou consideravelmente.
“Atualmente, não é mais permitido o parecer ou o conhecimento individual, valoriza-se muito a medicina baseada em evidência. A partir do momento em que se deseja aplicar uma nova técnica de tratamento, deve-se antes provar que ela é realmente eficaz e apresenta superioridade aos tratamentos preexistentes”, conta o médico Wagner Kuriki, anestesiologista do Hospital das Clínicas (SP).
Além do mais, a especialidade evoluiu muito desde sua criação, quando havia o conceito simplista de apenas promover cirurgias sem dor. Nos dias de hoje, o fato de o anestesiologista assistir o paciente desde a fase pré-operatória, ficar ao seu lado durante toda a cirurgia e acompanhá-lo nos cuidados pós-operatórios, também contribuiu para que o procedimento se tornasse ainda mais seguro.
E não pára por aí: “a especialidade é única a requerer conhecimentos de diversas outras áreas e a formação de um médico anestesiologista, atualmente, demanda três anos de pós-graduação”, informa Veloso.
ABC das técnicas
Geral: são aplicadas diversas medicações pelo soro do paciente, que provocarão um estado de inconsciência e apnéia, com início em alguns segundos. O paciente será submetido à intubação traqueal e será oxigenado através de um ventilador mecânico, que também administrará gases anestésicos ao paciente. Sedativos podem ser usados como pré-anestésicos. Seu tempo de duração é indeterminado e serve para qualquer tipo de cirurgia.
Peridural: é realizada entre as vértebras da coluna, onde é aplicado o anestésico próximo às raízes dos nervos responsáveis pela parte sensitiva e motora de membros inferiores, tórax e abdôme. Portanto, está indicada para cirurgias plásticas realizadas em abdôme, dorso e pernas. Se combinada com sedação, torna o procedimento muito confortável para o paciente.
Raquianestesia: tem características semelhantes à da peridural. A principal diferença é o local anatômico onde o anestésico é injetado.
Local: realizada por injeções de anestésicos locais diretamente sobre o local de interesse cirúrgico. Tem início imediato e pode ser usada em cirurgias de face, pálpebras, nariz, orelhas e prótese de mamas. Seu efeito, apesar de ter menor duração, também pode ser prolongado por tempo indefinido por meio de novas aplicações. É comumente associada a sedações.
Quando vai fazer uma cirurgia plástica, a paciente pode escolher o anestesista?
Segundo Kuriki, pode-se escolher o anestesiologista de sua confiança, sim. Porém, é preciso lembrar que deve haver uma boa integração entre as equipes para que o atendimento não fique prejudicado e seja o mais seguro possível.
Geralmente, os cirurgiões já trabalham com anestesiologistas de sua equipe ou do hospital. Para ficar tranqüila quanto à sua decisão, seria interessante conversar antecipadamente com o profissional que vai aplicar a anestesia para saber se você confia ou não, fato que deve ser informado ao seu cirurgião plástico.
Como posso confiar que serei atendida por um bom anestesiologista?
Como só este especialista deverá avaliar seu estado clínico e a necessidade de exames complementares, essa é uma boa oportunidade para tirar todas as dúvidas. O profissional deve explicar o planejamento anestésico e seus possíveis riscos. Se não houver uma consulta dessas, a equipe deve ser evitada.
“Outros fatores a serem considerados são a experiência do anestesiologista em cirurgia plástica e o nível de sua formação médica, dado à crescente abertura de escolas médicas de competências duvidosas”, conta Veloso. Portanto, não tenha medo de perguntar, se preciso for, onde e quando ele se formou. É a sua segurança que está em jogo.
O Hospital Salt Lake informou nesta terça-feira (7) que não fará mais cirurgias plásticas. Hoje, a Folha revelou que a diretora de escola Janir Tuffani, 48, morreu na última sexta-feira após fazer seis cirurgias plásticas simultâneas no local.
Em nota, Teresa Cristina Mello, advogada de um grupo que comprou o hospital em abril deste ano, afirmou que o Salt Lake cedia o espaço para cirurgias programadas por médicos de fora. O hospital também disponibilizava materiais, medicamentos e serviços de apoio, como médicos plantonistas e enfermeiros.
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A pedido dos antigos donos do hospital, o grupo está realizando cirurgias plásticas agendadas até o fim de abril. Depois, o local “vai se dedicar à atividade de hospital geral, oferecendo todo atendimento clínico hospitalar a uma faixa da população que necessita de cuidados específicos”, diz Teresa.
Segundo a advogada, o médico que realizou a cirurgia era o responsável por Janir Tuffani. “[Ele] é o profissional responsável pela paciente, quem a conhece, sabe de seus antecedentes e todo desenvolvimento da cirurgia realizada”, diz a nota.
“O hospital não tem contato anterior à internação ou posterior a alta com o paciente internado em suas dependências para realização do procedimento cirúrgico”, afirma.
CIRURGIA
No último dia 30, a diretora de escola Janir Tuffani, 48, morreu após passar por seis intervenções de uma só vez: implantou 325 ml de silicone nos seios, retirou bolsas de pele das pálpebras e aspirou gordura da barriga, braços, pernas e costas.
A cirurgia durou das 8h às 13h. Depois, ela foi transferida para um quarto e ficou em observação. “Ela estava aparentemente bem”, conta a autônoma Cláudia Ferreira, 43, amiga da diretora.
À noite, após uma refeição, Janir passou mal e sentiu fortes dores na barriga. “Ela levantou porque não conseguia ficar parada de tanta dor que sentia”, conta Cláudia.
A equipe médica do hospital constatou uma hemorragia e decidiu deixar a diretora em coma induzido. No dia seguinte, Janir foi transferida para o Hospital São Luiz, no Jardim Anália Franco, zona leste, onde morreu dois depois.
Foi o segundo caso de morte após cirurgia em menos de três meses no Hospital Salt Lake. Em fevereiro, a diarista Maria Gilessi Pereira Silva, 41, sofreu uma parada cardiorrespiratória duas horas depois de implantar silicone nos seios.
Fonte:folha.uol.com.br