“Ela se rompe e suas bordas, ao cicatrizarem, formam uma linha deprimida na superfície da pele”, explica o cirurgião-dermatológico Rogério Ranulfo.

“Ela se rompe e suas bordas, ao cicatrizarem, formam uma linha deprimida na superfície da pele”, explica o cirurgião-dermatológico Rogério Ranulfo.
Como evitar, combater e sumir até com as estrias mais antigas

Tudo para combater e acabar com as estrias
Primeiro aparece um risquinho avermelhado, que você nem dá bola, pensando que é um simples arranhão. Com o tempo, ele vai ficando mais largo, mais profundo até que clareia e fica similar a uma cicatriz. Está constatado: é a temível estria.
Este arranhão que acontece no nosso corpo é o rompimento das fibras elásticas que sustentam a pele da barriga, dos seios, das coxas A verdade é que, com justificativas biológicas ou não, não tem nada que a gente deteste mais no nosso corpo do que essas malditas listrinhas.
Hidratação
Para evitar, não tem outra: abusar do creme hidratante. É a melhor forma de prevenção. E na gravidez, o cuidado deve ser ainda maior. É importante ter uma dieta equilibrada, para não engordar muito. Também não coçar ou machucar a pele e usar o hidratante duas vezes ao dia, recomenda a Dra Denise Steiner, diretora da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
A dermatologista da SBD Tatiana Jerez também dá dicas para potencializar o efeito dos hidratantes: o melhor horário para hidratar o corpo é imediatamente após o banho, não importando se ele acontece pela manhã ou à noite. Nos cinco minutos que se seguem ao banho, nossa pele absorve melhor os hidratantes.
E a ideia é usar a torto e a direito mesmo, independente do tipo de pele. Nada de evitar o hidratante por que tem pele oleosa, por exemplo. Para pacientes que tem pele oleosa, existem hidratantes livres de óleo, mas no geral, as estrias não estão localizadas em locais onde o paciente tem grande oleosidade, explica a Dra. Tatiana.
Como combater
Você hidratou, massageou, cuidou e, mesmo assim, viu esses rabiscos rompendo na pele. Tudo bem, acontece. Agora é a hora de ir atrás de um consultório médico e ver como você pode resolver. Os produtos mais indicados são aqueles com ácido retinóico e com outros ativos que estimulem a produção de colágeno, indica a Dra. Denise. O que varia é a potência do produto, representada pela concentração do ácido mas eles são considerados medicamentos e devem ser comprados com receita.
Tratamento de choque: apele para o laser
O hidratante não evitou e o ácido retinóico não resolveu. O próximo passo é mais agressivo e por isso, garantia de mais efeito. Os tratamentos mais eficazes são os com laser fracionado não ablativo, ablativo e radiofrequência fracionada. Todos, através de calor e energia, estimulam o colágeno e melhoram a qualidade da pele, explica a diretora da SBD. Os aparelhos de laser emitem luz, promovem calor e estimulam o colágeno. Assim, eles atingem não só as estrias mais recentes (as vermelhinhas), mas também aquelas mais antigas, que são esbranquiçadas.
Todos os tipos de pele podem fazer estes tratamentos a laser, sem restrições. Mas nas peles mais morenas, eles devem ser usados com cautela, avisa a Dra. Tatiana Jerez. No geral, nestes pacientes, as sessões de laser devem ser mais brandas e por isso o tratamento pode requerer mais sessões. No nosso corpo, a parte que responde melhor ao tratamento são as mamas.
Quando bem aplicados, os tratamentos trazem bons resultados. Porém, eles podem gerar queimaduras, escoriações e deixar manchas quando realizados de forma equivocada, alerta a Dra. Tatiana. Portanto, nada de sair fazendo tratamentos em casa ou marcando infinitas sessões de laser sem a avaliação de um médico especializado. Somente um dermatologista poderá avaliar da maneira correta cada caso, cada tipo de pele e então definir qual o melhor tratamento, e em que dose usar os ácidos ou que potência usar os lasers.
Ah, é bom lembrar: não desanime se as estrias demorarem a deixar você em paz. O máximo que acontece nas semanas seguintes ao tratamento a laser é uma leve clareada na tonalidade das lesões. Os resultados efetivos do tratamento só começa a aparecer mesmo após três meses da primeira sessão, que é quando ocorre a produção de colágeno, estimulada pelo laser.

As vermelhas ou arroxeadas são as mais fáceis de tratar, pois são recentes – a cor indica que o tecido não foi totalmente prejudicado e há sangue circulando no local. Com o passar do tempo, as linhas vão perdendo gradualmente a tonalidade até se tornarem esbranquiçadas. “Nessa fase, o tratamento, para dar bons resultados, precisa ser mais intenso e provocar uma agressão na pele para que ela reaja produzindo mais colágeno e elastina, que farão a cicatrização interna das estrias”, diz a médica. Por outro lado, quando essas estrias também são largas e profundas, há necessidade de métodos mais invasivos para estimular o preenchimento dessas linhas de dentro para fora.
Agora que você já sabe mais sobre a bandida, conheça as melhores armas para contra-atacar. Aqui, uma seleção das técnicas mais promissoras e daquelas que já provaram ser eficazes. “Vale lembrar que elas não são indicadas para gestantes, lactantes e para quem tem diabetes, hipertensão e problemas cutâneos”, avisa a dermatologista Valéria Campos, de Jundiaí (SP). É hora de atacar!
Dói?
É comum o laser provocar inchaço nas primeiras 24 horas e hematomas por duas semanas. Após a subcisão, o local fica dolorido e com hematomas por até uma semana. Não dá para malhar por três dias e o sol fica proibido por um ou dois meses.
Número de sessões
Entre três e cinco de laser, a cada 15 dias, e uma ou duas de subcisão, com intervalo de 60 dias.
Dói?
A área costuma ficar quente durante alguns minutos, mas o tratamento é praticamente indolor. Durante uma semana, é contraindicado tomar sol.
Número de sessões
Entre oito e 16, com intervalo de três semanas.
Laser fracionado
Como é
Feixes de luz são direcionados para a estria e penetram a pouco mais de 1 milímetro de profundidade na pele. “Nesse ponto, a energia estimula a produção de colágeno e elastina preservando boa parte das células, o que acelera o processo de cicatrização”, diz o dermatologista Paulo Barbosa, de Salvador.
O que esperar
Uma única sessão promove uma melhora de cerca de 30% das linhas e o tratamento completo chega a 80%.
Dói?
O calor gerado pelo laser causa desconforto, mesmo sendo amenizado pela ponta de safira do aparelho, que resfria a pele. A área fica dolorida por alguns dias.
Número de sessões
De quatro a cinco, com intervalo de um mês.
Peeling de cobre + Intradermoterapia
Como é
Primeiro é feito o peeling, que provoca uma microesfoliação e estimula a produção de colágeno e elastina. “O cobre reage com uma enzima da pele responsável pela produção de melanina, fazendo a estria voltar a ter a mesma tonalidade do restante do corpo”, explica a dermatologista Cristine Almeida de Carvalho, de São Paulo. Em seguida, é injetado na camada superficial um mix de substâncias capazes de reconstituir e devolver a elasticidade, firmeza e hidratação cutânea.
O que esperar
O resultado aparece, em média, após cinco sessões e a melhora das estrias varia entre 70% e 80%.
Dói?
As picadas são um pouco doloridas e deixam a pele sensível, daí a recomendação de não usar roupas justas, fazer ginástica e usar cremes ou óleos corporais no dia da aplicação. Tomar sol, só depois de um mês. Quanto ao peeling, ele deixa a região avermelhada e descamando por três dias.
Número de sessões
Quinze, com intervalo de uma semana.
Carboxiterapia
Como é
“Um equipamento injeta gás carbônico no tecido subcutâneo para dilatar os vasos sanguíneos e estimular a formação de colágeno, preenchendo as estrias de dentro para fora”, diz a dermatologista Valéria Campos, de Jundiaí (SP).
O que esperar
O resultado aparece a partir do segundo mês de tratamento e a melhora das estrias pode chegar a 50%.
Dói?
A sessão de 15 minutos de picadas é dolorida, porém suportável, e quando um vasinho é atingido a região pode ficar roxa por três a cinco dias, período em que você precisa ficar distante do sol.
Número de sessões
Doze, uma por semana.
Dói?
O desconforto do infravermelho é suportável. A coloração das estrias fica mais intensa nos primeiros dias e vai clareando aos poucos.
Número de sessões
No mínimo três, uma por mês.
Luz intensa pulsada + Ácido retinoico
Como é
“O tratamento começa com a aplicação da luz intensa pulsada, que promove a regeneração das estruturas da pele, além de tratar os vasos dilatados que dão a aparência avermelhada”, fala a dermatologista Flávia Martelli, de São Paulo. Em seguida, é aplicado o peeling de ácido retinoico, que otimiza a ação da luz.
O que esperar
O tom da pele fica entre 30% e 80% mais uniforme e as estrias tornam-se mais finas.
Dói?
A pele fica sensível e pode descamar de cinco a dez dias. Durante uma semana deve-se evitar atividades físicas intensas e banhos quentes. A exposição solar está liberada depois de um mês.
Número de sessões
Entre três e seis, com intervalo de um mês.
Peeling de cristal + Ácido retinoico
Como é
Os dois tratamentos são feitos na mesma sessão. “Primeiro, vem o peeling de cristal, que libera jatos de pó de óxido de alumínio para esfoliar e facilitar a penetração do ácido retinoico, que descama a pele e estimula a produção de colágeno”, fala a dermatologista Jozian Quental, de São Paulo.
O que esperar
No final do tratamento, há uma melhora de até 40% na textura das estrias, que também ficam mais claras.
Dói?
Não, causam apenas vermelhidão por duas horas e descamação suave durante uma semana.
Número de sessões
De 15 a 20, com intervalo de dez dias.
Vitamina C + Luz intensa pulsada
Como é
A vitamina C a 22% é injetada com uma agulha fininha na camada superficial da pele. “O ativo age nos vasos que dão a coloração avermelhada às estrias e estimula a aproximação das bordas, deixando-as menos visíveis”, diz Patrícia Rittes. Em seguida, durante meia hora, entra em ação o equipamento de luz intensa pulsada. Ele tem uma ponteira que dispara uma energia que promove a contração da derme auxiliando o afinamento das linhas.
O que esperar
O resultado aparece a partir da quarta sessão e até o fim do tratamento as estrias ficam cerca de 60% mais claras e finas.
Dói?
As picadas incomodam e podem deixar hematomas por três a cinco dias. Nesse período, é recomendado ficar longe da ginástica, evitar roupas justas e não tomar sol.
Número de sessões
Dez de vitamina C, uma a cada 15 dias, e quatro de luz pulsada, com intervalo de três semanas.