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Expansão de tecido

A expansão de tecido permite ao corpo “gerar” pele extra para o uso na reconstrução em quase todas as partes do corpo.

O QUE É A EXPANSÃO DE TECIDO?

Expansão de tecido é um procedimento relativamente simples, que permite ao corpo “gerar” pele extra para uso na reconstrução em quase todas as partes do corpo. Um balão expansor de silicone é inserido sob a pele próximo à área a ser reparada e, em seguida, gradualmente preenchido com água salina ao longo do tempo, fazendo com que a pele estique e cresça. É mais comumente utilizado para a reconstrução de mama após sua retirada, mas, também, é usado para reparar a pele danificada por defeitos congênitos, acidentes, cirurgia e em alguns procedimentos estéticos.

QUEM SÃO OS MELHORES CANDIDATOS À EXPANSÃO DE TECIDO?

Praticamente qualquer pessoa que precise de pele adicional pode se beneficiar da expansão de tecido, desde crianças a homens e mulheres idosos.

O procedimento é muito utilizado na reconstrução da mama, quando não há pele suficiente para acomodar um implante permanente para restaurar a aparência natural da mulher. Também é uma opção para a reparação ou a substituição de áreas do couro cabeludo, em que o crescimento do cabelo faz com que seja difícil substituir tecido perdido com a pele de outras partes do corpo. A expansão de tecido geralmente produz excelentes resultados quando reconstrói algumas áreas do rosto e do pescoço, nas mãos, braços e pernas. A expansão pode ser mais difícil nas costas, tronco, ou em demais áreas onde a pele é espessa. Se a área afetada estiver severamente danificada ou com cicatrizes, a expansão provavelmente não é uma opção, pois, o primeiro requisito é que a pele esteja saudável.

VANTAGENS E DESVANTAGENS

Até recentemente, os cirurgiões estavam limitados a retalhos e a enxerto de pele para reconstruir o tecido danificado. A expansão do tecido, no entanto, oferece uma técnica adicional com várias vantagens. Primeiramente, a expansão oferece uma combinação quase perfeita de cor e de textura. Em segundo lugar, porque a pele mantém-se ligada à área doadora de sangue e de nervo, há menor risco de necrose. Ademais, por não ter de ser movida de uma área à outra, as cicatrizes são frequentemente menos aparentes. Por outro lado, a expansão da pele tem um inconveniente significativo − o período de tempo necessário para crescer pele adicional. Dependendo da área a ser reconstruída, a expansão do tecido pode levar de três a quatro meses. Durante este tempo, o expansor cria o que pode ser uma protuberância desagradável − o que é desejável na reconstrução da mama, mas pode ser bastante perceptível para uma pessoa que precise de reparo do couro cabeludo ou de demais áreas do corpo. Além disso, o procedimento requer várias visitas ao cirurgião para a injeção da água salina que infla o balão. Para algumas pessoas, a aparência inconveniente de um expansor é suficiente para que considerem outras opções.

O QUE ESPERAR DA CONSULTA

Durante a sua primeira consulta, o cirurgião irá avaliar sua condição. Sua idade, condição da pele, histórico médico e demais fatores irão ajudar o cirurgião a determinar se você poderá se beneficiar da expansão de tecido. Sua flexibilidade e tolerância à inconveniência associada a este procedimento irão lhe ajudar a determinar se quer se submeter a este procedimento. Antes de prosseguir com a expansão de tecido, discuta suas expectativas e sua compreensão do assunto com o cirurgião.

RISCOS E INFORMAÇÕES DE SEGURANÇA

A expansão de pele pode produzir alguns resultados significativos. Como em qualquer cirurgia, no entanto, há riscos associados à cirurgia e complicações específicas associadas a este procedimento.

A preocupação mais comum é a de que o expansor de silicone utilizado no procedimento rompa ou vaze enquanto estiver no corpo. Os expansores são rigorosamente testados e colocados com todo o cuidado e segurança, no entanto, pode haver vazamento. Se o expansor romper, a solução salina utilizada para encher o expansor é inofensivamente absorvida pelo sistema e o expansor é substituído com um procedimento cirúrgico relativamente pequeno. Uma pequena porcentagem dos pacientes desenvolvem infecção ao redor do expansor. Esta situação pode ocorrer em qualquer momento, mas, na maioria das vezes, acontece algumas semanas após a inserção do expansor. Em alguns casos, pode ser que o expansor tenha de ser removido por vários meses, até que a infecção desapareça. Um novo expansor pode ser, então, inserido.

PREPARANDO-SE PARA A EXPANSÃO DE TECIDO

Seu cirurgião irá lhe dar instruções específicas sobre como se preparar para a cirurgia, incluindo orientações sobre comer e beber, fumar e tomar ou evitar certos medicamentos. Se você fuma, seu cirurgião, provavelmente, vai pedir que pare de fumar por, pelo menos, duas semanas antes e após a cirurgia, pois o cigarro diminui a circulação de sangue na pele e impede a cicatrização.

Não deixe de pedir a alguém que o acompanhe à cirurgia e que lhe ajude em casa se necessário.

ONDE A CIRURGIA SERÁ REALIZADA

O procedimento deve ser realizado em local seguro e confortável para o médico e o paciente, em centro cirúrgico autorizado pela Vigilância Sanitária, com equipamentos e equipe treinada para qualquer intercorrência.

O cirurgião pode iniciar a expansão do tecido imediatamente no momento da retirada da mama.

TIPOS DE ANESTESIA

O cirurgião pode usar anestesia local, combinada com um sedativo para que você fique sonolento. Você vai ficar acordado, mas relaxado, e pode sentir um pouco de desconforto. O cirurgião pode recomendar o uso de anestesia geral se você preferir dormir durante todo o procedimento.

A CIRURGIA

Na maioria dos casos, a cirurgia inicial leva 1-2 horas, dependendo do tamanho e da área de pele a ser expandida. O seu cirurgião irá começar fazendo uma pequena incisão ao lado da área da pele a ser reparada, e fará todo o possível para fazer a incisão a mais discreta possível. O cirurgião irá, então, inserir o balão expansor de silicone em um espaço criado sob a pele. O expansor contém um pequeno tubo e uma válvula de auto-vedação que permite que o cirurgião possa, gradualmente, encher o expansor com solução salina. A válvula é geralmente deixada logo abaixo da superfície da pele.

ENCHIMENTO DO EXPANSOR

Uma vez que a incisão tenha cicatrizado, você deverá retornar ao consultório do cirurgião periodicamente para que se possa injetar soro fisiológico no expansor. Com a expansão do expansor, sua pele vai esticar. Em algumas pessoas, este procedimento pode causar desconforto.

CIRURGIA SECUNDÁRIA

Quando a pele esticou o suficiente para cobrir a área afetada, você será submetido a um segundo procedimento para remover o expansor e reposicionar o tecido novo. Na reconstrução de mama, a cirurgia requerida para remover o expansor e inserir o implante permanente é relativamente breve. Cirurgia mais complexa para reparar a pele do rosto e o couro cabeludo demanda mais tempo, e pode exigir mais de uma seqüência de expansão para finalizar.

EXEMPLO 1: COURO CABELUDO

A expansão de tecido é ideal para a reparação do couro cabeludo, porque a pele esticada sobre o couro cabeludo mantém o crescimento normal do cabelo. A maioria dos demais tecidos do corpo não cresce pelo com a mesma intensidade.

EXEMPLO 2: MAMA

Um balão expansor de silicone é inserido sob a pele. Uma vez instalado, o expansor é gradualmente inflado com água salina através de uma pequena válvula. Quando o tecido expandiu ao tamanho desejado, o mesmo é removido. Na reconstrução de mama, um implante permanente é, então, colocado.

EXEMPLO 3: BRAÇO

A expansão é também utilizada para reparar a pele da cabeça e do pescoço, mãos, braços e pernas.

RECUPERAÇÃO E ACOMPANHAMENTO PÓS-CIRÚRGICO

Como você se sentirá após a cirurgia dependerá da extensão e da complexidade do procedimento. A cirurgia inicial para inserir o expansor causa, na maioria dos pacientes, um desconforto temporário que pode ser controlado com medicação prescrita pelo médico. Pode haver, também, certo desconforto nas vezes em que a solução salina é injetada no expansor, no entanto, dura apenas 1-2 horas. O procedimento para remover o expansor e colocar o novo tecido no local pode causar desconforto temporário, mas, também, é controlado com medicação.

VOLTANDO AO NORMAL

Novamente, o tempo que levará para você retomar sua rotina normal dependerá da extensão, da complexidade e do tipo de cirurgia a qual se submeteu. Para pacientes que se submeteram à reconstrução de mama, se a expansão do tecido for separada da retirada da mama, a atividade normal pode ser retomada em 2-4 dias.

A maioria dos pacientes que se submete à expansão de tecido relata que é possível voltar à rotina normal estando o expansor ainda instalado. Após a segunda cirurgia, a maioria dos pacientes recupera-se em uma semana.

A SUA NOVA APARÊNCIA

Em geral, os resultados obtidos pela expansão de tecido são melhores que os resultados dos demais métodos usados para reconstruir ou reparar a pele danificada. Mas, lembre-se, de que o objetivo é melhorar e não atingir a perfeição. Para a maioria dos pacientes que se submetem à expansão de tecido, o procedimento melhora drasticamente a aparência e a qualidade de vida após a cirurgia. Se você é fisicamente saudável, psicologicamente estável e realista em suas expectativas, provavelmente ficará bastante satisfeito com a nova aparência.

Fonte:SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA PLÁSTICA
beijos, Fran
07/07 2013
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Correção de cicatriz

As cicatrizes são sinais visíveis que permanecem após uma ferida ser cicatrizada, sendo resultado inevitável de lesão ou cirurgia, e seu desenvolvimento pode ser imprevisível. A má cicatrização pode contribuir para o surgimento de cicatrizes desfavoráveis. Mesmo uma ferida que cicatriza bem pode resultar em cicatriz precária em sua aparência.

Suas opções de tratamento variam de acordo com o tipo e o grau de cicatrização e podem incluir:
• Tratamentos tópicos simples,
• Procedimentos minimamente invasivos,
• Revisão cirúrgica com técnicas avançadas de fechamento da ferida.
A cirurgia de correção de cicatriz destina-se a minimizar a cicatriz de modo que fique mais uniforme com o seu tom de pele e a textura circundante. Apesar da correção da cicatriz proporcionar resultado estético mais agradável ou melhorar uma cicatriz que tenha má
cicatrização, uma cicatriz não pode ser completamente apagada.

O PROCEDIMENTO É INDICADO PARA MIM?

A cirurgia de correção de cicatriz é um procedimento altamente individualizado e você deve fazê-lo para si mesmo, não para satisfazer os desejos de outra pessoa ou para se adaptar a qualquer tipo de imagem ideal.
O procedimento pode ser realizado em pessoas de qualquer idade e é uma boa opção para você se:
• Você se sente incomodado por ter uma cicatriz em qualquer parte do seu corpo,
• Você é fisicamente saudável,
• Você não fuma,
• Você tem perspectiva positiva e expectativas realistas sobre o procedimento,
• Você não tem acne ativa ou demais doenças de pele na área a ser tratada.

O QUE É CORREÇÃO DE CICATRIZ?

Correção cicatricial é a cirurgia plástica realizada para melhorar a condição ou a aparência de uma cicatriz em qualquer parte do corpo. Os diferentes tipos de cicatriz incluem:
Descoloração, irregularidades da superfície e demais cicatrizes mais sutis podem ser esteticamente melhoradas por cirurgia ou demais tratamentos recomendados pelo cirurgião plástico. Estes tipos de cicatrizes não prejudicam a função ou causam desconforto físico e incluem cicatrizes de acne, bem como cicatrizes decorrentes de ferimentos leves e de incisões cirúrgicas anteriores.
Cicatrizes hipertróficas são aglomerados espessos de tecido cicatricial que se desenvolvem diretamente no local da cicatrização. Estas cicatrizes são, na maioria das vezes, altas, vermelhas e/ou desconfortáveis, e podem se tornar maiores ao longo do tempo. Elas podem ser hiperpigmentadas (de cor mais escura) ou hipopigmentadas (de cor mais clara).
Quelóides são maiores que as cicatrizes hipertróficas. Estas cicatrizes podem ser dolorosas ou com prurido e, também, podem enrugar. Elas se estendem para além das bordas de uma ferida ou incisão inicial, podendo ocorrer em qualquer parte do corpo, mas, desenvolvem-se mais comumente onde há pouco tecido subjacente de gordura, como na face, no pescoço, nas orelhas, no peito e nos ombros.
Contraturas são cicatrizes que restringem o movimento devido à junção da pele e do tecido subjacente durante a cicatrização. As contraturas ocorrem quando há uma grande quantidade de perda de tecido, por exemplo, após uma queimadura. As contraturas também podem se formar onde a ferida se junta com a articulação, restringindo o movimento dos dedos, cotovelos, joelhos e pescoço.
O tipo de cicatriz que você tem irá determinar as técnicas adequadas que o cirurgião plástico irá usar para suavizar a cicatriz.
Fonte:SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA PLÁSTICA
beijos, Fran
07/07 2013
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Brasileira quase fica cega com cirurgia que muda a cor dos olhos

O Fantástico investigou médicos em vários países e no Brasil que prometem fazer essa cirurgia perigosa e proibida.

Você poria sua saúde em risco, só pra trocar a cor dos olhos? O Fantástico investigou médicos em vários países e até aqui, no Brasil, que prometem fazer essa cirurgia perigosa e proibida. Você vai ver, agora, que um simples sonho de beleza pode trazer consequências sérias e até causar a cegueira.
“Eu perdi 70% da visão. Não posso dirigir, nem trabalhar. Não consigo ler. Eu não consigo usar o computador. Eu não tenho mais uma vida normal. Me tornei uma pessoa incapaz”, conta Patrícia Rodrigues.
Esse drama na vida da Patrícia começou quando ela foi trabalhar como assessora de um cirurgião plástico. Na época, ela usava lentes de contato azuis, e recebeu uma proposta. “Depois de um ano trabalhando com ele, ele me apresentou essa cirurgia de mudança da cor dos olhos”, lembra a paciente.
A cirurgia só era feita no Panamá, um pequeno país da América Central. O médico brasileiro acompanhou Patrícia. Ela deixou de ter olhos castanhos e ganhou olhos azuis.
“Ele queria que eu divulgasse a clínica, a imagem dele, através desse procedimento. Seria uma novidade estética”, diz. Ela cona que, em troca, ganharia apenas o benefício estético. “Eu não paguei por essa cirurgia. Foi financiada por ele. A cirurgia, a viagem”, comenta.
Pouco depois da operação, o cirurgião plástico para quem Patrícia trabalhava morreu. E ela diz que passou a ser acompanhada por um oftalmologista da equipe.
“Doutor William Teixeira. Ele me acompanhou durante todo esse período, 3 anos e 8 meses que eu estive com os implantes”, afirma.
E a paciente afirma: foi sob os cuidados pós-operatórios do doutor William que ela quase ficou cega. “Eu perdi 70% da visão. É muito difícil, porque eu fico até com medo de esquecer a fisionomia dos meus familiares, esquecer como é meu rosto, porque eu não me vejo mais no espelho”, lamenta.
Patrícia não é a única. Nossa produção localizou em diversos países pacientes que fizeram implante de íris artificial no Panamá, e tiveram complicações sérias. Na Inglaterra. Nos Estados Unidos. No Canadá. No Brasil, médicos contam que também atenderam vítimas dessa cirurgia.
O oftalmologista Vital Paulino Costa conta que já recebeu três casos iguais aos da Patrícia no consultório. Todos da mesma cirurgia feita no Panamá. “Todos com as mesmas complicações”, afirma.
O Fantástico viajou até o Panamá, onde começou essa história. Desde 2004 a Cidade do Panamá, capital do país, vem recebendo brasileiros e pessoas de toda parte do mundo que chegam com o sonho de trocar a cor dos olhos. Eles podem ficar azuis, verdes, a gosto do freguês. E isso é possível. Tem que ter disposição para pagar 8 mil dólares por uma cirurgia aparentemente simples, mas cheia de riscos. Inclusive de levar à cegueira.
Nós fomos até a clínica do médico que diz ser o criador desse implante: o doutor Delary Kahn, o mesmo que operou a Patrícia. Ele nos explicou a técnica: a parte mais externa e transparente do olho é a córnea. Atrás dela, a íris, onde a luz é filtrada. Depois estão o cristalino e o nervo ótico. Através de um pequeno corte, a lente artificial colorida é inserida em cima da íris, como uma capa. Um procedimento que dura cerca de 10 minutos.
“Até agora temos mais de mil cirurgias realizadas. Temos muitos pacientes da América Latina, e muitos dos Estados Unidos. Brasileiros poderiam ser 8%, mais ou menos”, aponta o médico.
Se este número estiver correto, mais de 80 brasileiros podem estar com essas lentes artificiais hoje. Nós localizamos vários pacientes no Brasil que passaram por essa cirurgia, mas não querem aparecer porque se sentem constrangidos.
A operação só é legalizada no Panamá. E não existe no mundo nenhum estudo científico que comprove a segurança para os pacientes. “5% dos pacientes podem apresentar algum grau de complicação”, afirma o oftalmologista Delary Kahn.
Fantástico: Complicações que podem levar à cegueira?
Delary Kahn: Podem acontecer.
Fantástico: O senhor tem conhecimento de brasileiros que fizeram a cirurgia com o senhor e que enfrentam sérios problemas hoje?
Delary Kahn: Dos que foram feitos aqui, sei de apenas uma paciente brasileira.
Fantástico: É a Patrícia?
Delary Kahn: Patrícia.
Fantástico: A patrícia afirma ter ido e feito os exames regulares.  Mas ela perdeu 70% da visão.
Delary Kahn: É muito lamentável, e não desejamos isso a ninguém.
Segundo os médicos que atenderam Patrícia, a lente artificial lesionou as células que ficam na parte interna da córnea e que são responsáveis por mantê-la transparente e garantir a visão perfeita.
O médico panamenho sugere que o oftalmologista que acompanhou Patrícia no Brasil teria demorado para detectar o problema. “Se tivesse detectado a tempo, e é possível detectar a tempo, indicaria a retirada do implante”, diz o médico.
Fantástico: Quando você sentiu o primeiro sintoma de que alguma coisa estava errada?
Patrícia: Primeira sensação foi de um embaçamento, como se fosse um box embaçando durante o banho.
Fantástico: Por que o médico não queria retirar a lente?
Patrícia: Porque eu ajudava a promover essa cirurgia, de certa forma.
Procurado por telefone, quarta-feira passada, William Teixeira concordou em dar entrevista. Mas, no dia seguinte, a advogada ligou cancelando a gravação.
Em nota enviada ontem ao Fantástico, a advogada do doutor William contrariou a versão de Patrícia. Disse que a paciente nunca pediu para que o médico brasileiro retirasse os implantes. E que foi ela quem abandonou o tratamento.
Mas Patrícia diz que enviou uma mensagem por celular para o médico William Teixeira, pedindo para retirar os implantes. Segundo ela, sem sucesso.
Patrícia: Eu tive que sair do Rio de Janeiro e ir a São Paulo pra buscar respostas com outro oftalmologista.
Fantástico: Que disse o quê?
Patrícia: Que eu tinha uma lesão irreversível na córnea e só voltaria a enxergar com transplante.
“Depois do transplante nós vamos checar como é que tá esse nervo ótico. E isso agora é difícil estabelecer, porque eu não consigo examinar o nervo ótico da Patrícia pela falta de transparência da córnea”, ressalta Vital Paulino da Costa, oftalmologista.
Patrícia conseguiu fazer um transplante de córnea, mesmo sem saber se voltaria a enxergar.
Diante da quantidade de pessoas que alegam ter sofrido complicações com a técnica do doutor Kahn, um médico americano fez um estudo sobre os pacientes que tiveram que retirar os implantes.
“Córneas inchadas, pressão ocular alta, e por causa disso, glaucoma. Todos estavam com os olhos doentes”, aponta David Ritterband, oftalmologista.
O médico faz um alerta: “Se esses implantes continuassem ali, todos ficariam cegos”.
Ainda nos Estados Unidos, procuramos um dos fabricantes das lentes usadas para mudar a cor dos olhos. Perguntamos em que países a cirurgia é feita. Por email, a empresa indicou um consultório em Ipanema, um dos bairros mais nobres do Rio de Janeiro. O médico é Edigezir Barbosa Gomes.
Nossa produtora marcou uma consulta. Ele faz a mesma cirurgia do Panamá, que é proibida no Brasil. Na sala de espera, encontramos um turista americano que tinha acabado de colocar o implante. “Não posso fazer nos Estados Unidos porque lá é ilegal”, diz o americano.
Usamos uma câmera escondida. Apesar de ser um exame de rotina, o doutor Edigezir aproveita para oferecer a cirurgia:
Edigezir Barbosa Gomes: Trocar a cor do olho eu também troco, tá? A gente faz umas cirurgias aqui. Ontem mesmo troquei essa aqui.
Produtor: Nossa. É lente, né?
Edigezir: Não. Eu boto dentro do olho. Fica definitivo. Ela é experimental, ou seja, ela não tá aprovada por nenhuma instituição.
Mostramos a gravação da consulta para o Conselho Federal de Medicina, que regulamenta a prática médica no Brasil.
“Não é uma cirurgia aprovada. É proibida pelo Conselho Federal de Medicina. Isso fere o código de ética médica, por não cumprir uma resolução do Conselho Federal de Medicina que determina que novos procedimentos sejam aprovados pelo conselho federal”, explica José Fernando Vinagre, corregedor do CFM.
Produtor: E custa uma fortuna, doutor?
Edigezir: Não. Fica entre 6 e 8 mil dólares. Não tem recibo, não tem nada. É super escondido.
Produtor: Em dólar? A gente paga em dólar?
Edigezir: A maioria das coisas eu pago em dólar. Você pode dividir. Pelo menos metade eu tenho que ganhar em dólar, porque eu gasto. A outra metade é o meu lucro.
Edigezir: Deixa pago uma parte aí, deixa 3 mil dólares aí.
“Isso é crime fiscal, que a lei brasileira não permite. O paciente que paga uma consulta tem direito ao comprovante de que ele pagou para esse médico”, diz um representante do conselho.
O Conselho Federal de Medicina aponta outras irregularidades.
Produtor: Pelo fato de ser experimental, não tem problema nenhum?
Edigezir: Esse fato é que faz você me autorizar. Tem que ter o papelzinho.
Produtor: Como é que é?
Edigezir: Um termo. Mas tá em inglês. Eu não fiz em português. Você tem que dizer que fala inglês.
O conselho diz que o termo não tem valor: “Nenhum, primeiro porque ele tá em inglês. Ele teria que estar em português, e muito claro. Como a cirurgia não é reconhecida cientificamente no Brasil, não adianta o paciente consentir, porque ele já está na origem fazendo um procedimento que ele não deveria fazer”.
Voltamos ao consultório do médico Edigezir Barbosa Gomes.
Fantástico: Senhor Edigezir, nós temos conhecimento de que o senhor realiza essa cirurgia pra troca da cor do olho. Uma cirurgia que não é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina. O senhor confirma isso?
Edigezir: Exato. A cirurgia de mudança de cor de olho é uma cirurgia experimental.
Fantástico: Quanto o senhor cobra pra realizar a cirurgia aqui no seu?
Edigezir: Eu não cobro.
Fantástico: O senhor não tem lucro?
Edigezir: Lucro não.
Fantástico: Por que o senhor não daria recibo?
Edigezir: Porque aí eu teria que pagar pra fazer. Estou gastando mais ainda do meu dinheiro. Quanto é que você paga de imposto? Você sabe quanto que o médico paga de imposto? 27%.
“O que uma lente dessas pode causar? Ela pode causar uma inflamação crônica da íris, pode provocar glaucoma, pode provocar lesão da parte interna da córnea, do endotélio”, alerta o médico do conselho.
Fantástico: Segundo o Conselho Federal de Medicina, essa cirurgia coloca os pacientes em risco?
Edigezir: Quem é especialista na cirurgia experimental? Sou eu ou o conselho?
“Ele será submetido a um julgamento ético no Conselho Federal de Medicina do Rio de Janeiro”, afirma o representante.
Cegueira: este quase foi o destino da Patrícia. Depois de entrar na fila do banco de olhos, a sua história começou a ter um final feliz.
“A cirurgia foi perfeita, tudo ótimo. Patrícia está muito bem. Em torno de 1 a 4 semanas, ela já deve estar com a visão recuperada”, afirma Nicolas Cesário Pereira, cirurgião oftalmologista.
Dezessete dias depois do transplante, olha como encontramos a Patrícia: andando, subindo uma escada, firme, com segurança, e de salto.
Fantástico: O quanto você já tá enxergando?
Patrícia: 90% do olho direito, o olho que eu fiz o transplante.
Fantástico: O outro?
Patrícia: Ainda aguardo a resposta pra marcar a cirurgia
“Assim como deu certo pra mim, eu espero que dê certo para as outras pessoas que estão passando pelo mesmo problema que eu e estão sem coragem. Meu conselho é que elas não fiquem quietas”, diz a paciente
Fonte:G1/FANTÁSTICO
beijos, Fran
06/07 2013
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