“Quero virar nome de lei”,diz médico que fez autocirurgia.
Luiz Américo Freitas Sobrinho diz que não há lei que proíba autocirurgia.
Para CRM, parecer julga inapropriado qualquer tipo de ato médico em si.

Luiz Américo – Eu senti que eu posso aprimorar minha técnica. Nenhum médico é obrigado a se operar para ser melhor, mas já que operei, tirei dessa experiência muitos conhecimentos que podem ser aplicados aos meus pacientes. Já sei como o paciente se sente depois da cirurgia, por exemplo. Antes, um recém-operado reclamava de alguma dor, algum formigamento, e eu achava que era psicológico. Hoje sei que não.
Luiz Américo – Apesar do perfil ser meu, foi a minha filha quem postou o vídeo. Ela tinha minha senha, e quis me fazer uma surpresa, já que achava o meu ato muito corajoso, e sentia orgulho de mim.
Luiz Américo – Depois que vi a repercussão e as acusações de outros médicos, repudiando minha atitude, fiquei muito bravo com ela. Nós brigamos, eu pensei em abandonar a cirurgia, em virar padre e até andarilho. Já quis até sair de casa. Mas depois pensei melhor, a perdoei e hoje ficamos ainda mais próximos. Falei que ela não tem culpa de nada. Nem eu, nem ela, ninguém é culpado.
Luiz Américo – Os elogios das pessoas me ajudaram a recuperar minha coragem, e a me estimular a não largar tudo. Muitos profissionais respeitados me mandaram mensagens de apoio. Eu sou capaz de fazer uma lista de médicos que já fizeram a autocirurgia. No meu caso foi diferente porque tem o vídeo, só isso. Do contrário, seria só mais um caso. Se um médico retira uma verruga de si, por exemplo, isso é considerado crime? Não existe nenhum parâmetro que diferencia essas práticas da minha.
Luiz Américo – Com certeza. A única diferença é que, assustados com a repercussão, eles me imploraram sigilo. Claro que eu nunca vou revelar quem foi. Eles me deram o apoio, com um pouco de medo. Eles ficaram muito emocionados. Uma das médicas – que já foi minha namorada – até chorou.
Luiz Américo – Farei sem dúvida, assim que criarem uma lei dizendo que todos os médicos estão autorizados a realizarem a autocirurgia. Essa lei, inclusive, deveria levar o meu nome. ‘Lei Luiz Américo’, regulamentando minha atitude. Acredito que levantei a questão na área científica.
Luiz Américo – Tenho vontade de operar minhas pálpebras. Faria primeiro em uma, com um dos olhos abertos, e depois, na outra. Quem sabe um dia.
Luiz Américo – Não temo nenhum tipo de sanção. Primeiro, porque vários outros médicos já praticaram a autocirurgia. O que me diferencia é o vídeo, que não foi publicado. Segundo, porque não há nenhuma lei que me proíba de fazer isso. O que há é uma recomendação de um parecer devido a um médico que se autoexaminou. O meu medo é o dano moral que as declarações de membros do CRM e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica possam me causar.
Luiz Américo – Como a matéria do G1 foi publicada na sexta-feira, não deu para sentir a diferença ainda. Vou analisar daqui para frente. Os pacientes que vieram para retorno hoje (segunda-feira, 6) parabenizaram minha atitude e disseram que agora gostam ainda mais de mim.
Luiz Américo – Abri um precedente, uma porta a ser estudada, um parâmetro a ser pensado. Se um pedreiro faz a própria casa, uma manicure tira sua própria cutícula, por que eu não poderia me operar? Eu queria que meu tipo de corte fosse feito em mim, que meu estilo fosse aplicado, e ficaria chato orientar outro profissional a fazer do meu jeito. Foi um desafio, uma pesquisa. Eu gosto muito do que eu faço, e de como faço. Por que não poderia então fazer em mim? O sujeito tem que ser livre para fazer o que quer do corpo dele, principalmente o médico.
Luiz Américo – Estou mais próximo deles. Sei agora o que eles sentem. Vou torcer agora para o movimento em meu consultório não cair, pois eu amo o que eu faço, e a autocirurgia só me ajudou a aprimorar. Sei que eles vão continuar confiando em mim.



