7 ago

MULHERES COM 30 ANOS FAZEM PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOS PARA COMPETIR COM COLEGAS DE TRABALHO DE 20 E POUCOS ANOS

CERCA DE 90% DAS VAGAS DE EMPREGO PARA MULHERES EXIGEM QUE ELAS TENHAM MENOS DE 30 ANOS (FOTO: CHINA DAILY)
Esqueça a pós-graduação ou os cursos para aprender novos idiomas. As mulheres chinesas que querem subir na carreira agora investem em procedimentos cirúrgicos para mudar o nariz, os olhos ou obter pernas mais longas.

A prática está cada vez mais comum entre as mulheres prestes a completar 30 anos, que desejam competir com suas colegas de 20 e poucos anos. Segundo Joanna Chiu, correspondente do The Daily Beast na China, a tendência não tem a ver com a insegurança feminina no trabalho, mas está baseada em fatos.

Um levantamento dos anúncios de ofertas de trabalho, feito em 2003 no país, mostrou que, entre as vagas abertas para mulheres, cerca de 90% exigia que as candidatas tivessem menos de 30 anos.

A juventude é um bem precioso em um lugar no qual mulheres que chegam aos 27 anos sem se casar são rotuladas pelo governo como “solteironas”. Mulheres que não atendem aos requisitos mínimos de altura (geralmente fixados em 1,58 metros) também enfrentam grande dificuldade para conseguir um emprego no governo.

Um estudo do Centre for World-Life, de 2011, descobriu que 76% das mulheres na China aspiram a altos cargos, em comparação com 52% nos Estados Unidos. Aquelas que recorrem à cirurgia alimentam uma indústria que US$ 2,5 bilhões por ano na China, a qual tem crescido a um ritmo anual de 20%, de acordo com a agência de notícias oficial Xinhua. A China é hoje o terceiro maior mercado para cirurgia plástica no mundo, atrás dos Estados Unidos e o Brasil – quando a população é levada em conta, a cirurgia estética é mais comum na Coréia do Sul.

O preço de uma plástica no nariz, de acordo com a reportagem, é de US$ 2,9 mil dólares em um dos maiores hospitais de cirurgia plástica na China, localizado no sul da cidade de Shenzhen. Levando-se em conta a renda anual média dos residentes urbanos na China (US$ 7 mil) e a remuneração média mensal de um trabalhador migrante (US$ 40), levaria anos para a maioria das pessoas conseguirem poupar o dinheiro necessário para um procedimento desses.

“As mudanças econômicas, culturais e políticas na China produziram uma imensa ansiedade vivida pelas mulheres, o que estimula a crença de que a beleza é capital”, disse a antropóloga Wen Hua, autora do recém-publicado livro Comprando a Beleza: Cirurgia Plástica na China.

Na China, a prática tornou-se tão socialmente aceita que concursos de beleza especialmente para “belezas artificiais” foram criados e escolas de formação profissional para comissárias de bordo rotineiramente internam estudantes em hospitais de cirurgia plástica, conta Wen. ”A cirurgia plástica tornou-se uma forma de escolha do consumidor, que reflete a transição da China do comunismo para o consumismo “.

Fonte:ÉpocaNegocios
Por: Fran

6 ago

Além dos velhos conhecidos implantes nos seios, bumbum e coxas, a mulherada tem aproveitado para turbinar os braços. Segundo dados da Silimed, fabricante de próteses de silicone, as vendas de próteses para bíceps e tríceps aumentou em 31% em comparação ao ano passado, sendo que 60% delas foram usadas em mulheres.
Implantes nessa região podem ser uma boa saída para quem perdeu muito peso ou, quem sabe, não aguenta mais a famosa flacidez no músculo do “tchauzinho” – o tríceps -, comum conforme o avanço da idade. Segundo o cirurgião plástico Esmail Safaddine, o procedimento também é indicado em caso de homens que não conseguiram resultado desejado com a musculação.”Para as mulheres, a maior preocupação tende a ser com o tríceps, onde predomina a parte flácida da pele que balança conforme movimentos de ‘tchau’ ou movimentos mais bruscos com os braços”, explica.

O cirurgião explica que, durante o procedimento, um corte de aproximadamente quatro centímetros é feito nas axilas, por onde as próteses de gel coesivo (as mesmas usadas em implantes mamários) serão colocadas – duas no bíceps, o “muque”, e mais duas no tríceps, dando aspecto torneado e firme à região preenchida.

“Como qualquer procedimento cirúrgico, há os riscos relativos à anestesia (que pode ser tanto geral ou local), e também hematomas na região, daí a importância de seguir à risca os procedimentos pós-operatórios indicados pelo cirurgião”, alerta.

A cirurgia dura, em média, uma hora e meia e o resultado definitivo pode ser visto em aproximadamente três meses. Mas, para que tudo dê certo, Safaddine aconselha que se evite o carregamento de peso após 30 dias e não tomar sol por, pelo menos, dois meses.

Por Ana Paula de Araujo (MBPress)

Fonte:VilaMulher
Por: Fran

4 ago

Cirurgia íntima: entenda o procedimento feito por Geisy Arruda 
Depois de quatro anos de dúvidas, Geisy chegou à conclusão de que a cirurgia íntima traria benefícios para sua autoestima e para a vida sexual Foto: Francisco Cepeda / AgNews

Depois de quatro anos de dúvidas, Geisy chegou à conclusão de que a cirurgia íntima traria benefícios para sua autoestima e para a vida sexual
Foto: Francisco Cepeda / AgNews

Geisy Arruda foi parar nos Trend Topics do Twitter ao postar uma frase sobre a cirurgia íntima que acabara de fazer. “Esta terça- feira eu acabei fazendo uma das maiores loucuras da minha vida (…)! Mas não quero que o mundo acabe e eu tendo uma couve-flor no lugar da vagina!”, comentou, imediatamente se tornando alvo de piadas e comentários.
Geisy Arruda faz cirurgia íntima para mudar sua “couve-flor”
Embora tenha sido encarado com naturalidade por Geisy, o tema é algo sério, e, para muitas mulheres, chega a ser um grande problema.  A cirurgia íntima, ou ninfoplastia, é indicada para pacientes que têm os pequenos lábios aumentados. Na maioria dos casos, de acordo com os especialistas ouvidos peloTerra, o desconforto é mais psicológico do que funcional: por sentirem que têm algo diferente do padrão, muitas mulheres se sentem constrangidas diante dos parceiros.
No caso de Geisy, que vinha dando uma importância maior ao problema há pelo menos quatro anos, não foi diferente. “Na verdade eu tinha uma relação muito conturbada com a minha vagina. Era algo que me incomodava muito, eu tinha muita vergonha. Sempre foi assim mas eu nunca tinha reparado, então comecei a ver a de amigas e reparar que eu era diferente”, contou.
O desconforto aparecia ao colocar roupas muito apertadas, e, principalmente, entre quatro paredes. “Na relação o que mais me constrangia era o sexo oral, era algo que eu não deixava fazer em mim, tinha vergonha de que o meu companheiro percebesse esse exagero nos lábios. Isso me atrapalhava muito. Não tinha preliminares, era uma coisa que eu pulava”, relembra.

De acordo com a ginecologista Paula Marcovici, de São Paulo, a procura pela correção é grande, especialmente entre meninas de 16 e 17 anos, que estão se iniciando na vida sexual. Mas a recomendação dos médicos é que o procedimento só ocorra sob indicação médica, depois dos 18, quando a vagina já está completamente desenvolvida. Confira abaixo as principais recomendações sobre esta cirurgia.

Principais queixas
Além da insatisfação com a parte estética, a maioria das pacientes se queixa do constrangimento causado pela hipertrofia dos pequenos lábios, segundo observa André Colaneri, cirurgião plástico e especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. “Muitas mulheres dizem que achavam que tinha algo diferente, mas esse é o tipo de coisa que não se comenta com as amigas”.
Ele observa que, na maioria dos casos, o problema tem a ver mais com a parte comportamental – refletindo na vida sexual – do que na funcional. “Tem mulher que não tira a roupa na frente do marido. A maioria dos homens não repara, não sabe que é diferente, mas a mulher se sente totalmente constrangida”.
Sob o ponto de vista clínico, os relatos mais recorrentes tem a ver com incômodo ou dor na relação sexual e maior exposição à infecção, mas também acabam passando pelo âmbito psicológico. “Muitas pacientes têm a sensação de que as pessoas estão vendo através da roupa”, observa Paula.
Mudança de hábito
André relata um sensível aumento da procura por este procedimento, atribuído à maior divulgação do tema e, consequentemente, ampliação do conhecimento a respeito. “Essa cirurgia tinha uma procura reprimida porque, diferente da prótese de mama, que as meninas mostram para as amigas, quem faz a ninfoplastia geralmente não conta para mais ninguém, porque tem vergonha. É uma cirurgia íntima não só no nome, mas também porque é algo que a mulher faz somente para ela”, explica, ressaltando que por várias vezes operou mulheres que foram para o consultório sozinhas, e voltaram de táxi, para que ninguém ficasse sabendo.
Paula reforça a tese, dizendo que antigamente a cirugia era mais procurada por motivos funcionais do que estéticos.  “Acho que hoje a mulher está muito mais preocupada com o corpo, inclusive com a região genital, e tem menos vergonha de falar sobre isso”.
O procedimento
O cirurgião André explica que a ninfoplastia é feita com anestesia local. O excesso dos pequenos lábios é retirado e a a sutura é feita com pontos absorvíveis, que não precisam ser retirados. “Depois de duas a três semanas, o fio cai sozinho, não precisa tirar”, afirma, acrescentando que o procedimento não altera a sensibilidade na região.
É importante ressaltar que os pequenos lábios têm uma função fundamental para a saúde – são eles que previnem contra infecções, segundo explica a ginecologista Paula. “É uma pele com mucosa, que cicatriza com mais retração do que qualquer outro lugar do corpo. Se cortar demais, pode haver exposição da uretra e causar infecção”, destaca.
Principais recomendações
De acordo com Secretário Geral da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Dênis Calazans, este tipo de cirurgia não carrega uma nuance exclusivamente da cirurgia plástica. “É preciso  pensar no âmbito da sua funcionalidade. E para isso, os ginecologistas são os profissionais mais capacitados para esse tipo de procedimento”, ressalta.
A ginecologista Paula reforça, explicando que nem todos os ginecologistas fazem esse tipo de cirurgia, mas o ideal é que ele seja o primeiro profissional a ser consultado, ainda que encaminhe para um cirurgião plástico. “O ginecologista é o profissional que acompanha a mulher, então o ideal é que ela converse com ele para que ele oriente sobre a cirurgia. É ele quem vai poder dizer o quanto será reduzido e se a cirurgia pode ser feita no hospital ou no próprio consultório, para os casos mais simples”, pontua.
Pós-operatório
Apesar dos resultados agradarem na maioria dos casos, Paula avisa que o pós-operatório é dolorido e desconfortável, por isso, exige cuidados especiais que suaviam estes sintomas. “Os pequenos lábios são muito vascularizados, têm muita sensibilidade. Ao fazer xixi, a paciente pode sentir certo incômodo”, explica.
No entanto, o retorno às atividades pode ocorrer relativamente rápido, desde que as orientações sejam seguidas. A especialista explica que a volta ao trabalho pode ocorrer de três a quatro dias após o procedimento, mas atividades físicas só devem voltar à rotina após 15 dias e relações sexuais depois de, no mínimo, 20 dias. “É preciso ter cuidado para que os pontos não infeccionem. O ideal é evitar o papel higiênico ao urinar, e lavar bem o local sempre que for ao banheiro. Também são recomendados banhos de assento”, afirma Paula.
Benefícios
Mais do que eliminar o desconforto causado pelos excessos, a redução dos lábios trazem muitos ganhos psicológicos, conforme observa o cirurgião André. “Na consulta eu falo que vai existir a mudança física, mas a psicológica é muito maior, porque ela vai se sentir mais livre, mais à vontade. Acaba melhorando a vida sexual porque ela passa a curtir mais o momento”, analisa.
Geisy se diz satisfeita com os resultados. “Essa cirurgia trouxe para mim uma libertação. Esteticamente está muito mais bonito, e também posso usar a roupa que eu quiser”, conta, acrescentando que da parte sexual ainda não pode falar. “Eu brinco que estou na seca esse ano e só vou ‘voltar’ no ano que vem. Brincam comigo que eu tenho que leiloar, pois agora está seminova”, conta.
O apelido “couve-flor” ficou no passado. Agora, ela recebe sugestões de novos nomes. “Borboleta, flor de laranjeira, botão de rosa”, enumera, rindo. Às mulheres que se sentem desconfortáveis com essa condição, ela dá a dica. “Procurem um especialista e façam a operação. A recuperação é chata, trabalhosa, mas o resultado final é impagável, você se sente mais mulher, mais bonita”, finaliza.
A cirurgia íntima, ou ninfoplastia, é indicada para pacientes que têm os pequenos lábios aumentados
A cirúrgia íntima,ou ninfoplástia,é indicada para pacientes que têm os pequenos lábios aumentados.
Foto: Getty Images
FONTE:Saude/Terra
Por: Fran

4 ago

FONTE:CHONGAS
Por: Fran

3 ago

Próteses mamárias revestidas com poliuretano: avaliação de 14 anos de experiência

Autores: Arnaldo Lobo Miró

As cirurgias para aumento das mamas com uso de implantes de silicone ocupam posição de destaque nas estatísticas mundiais. O advento das próteses mamárias recobertas com poliuretano trouxe um grande avanço médico nestes procedimentos, já que sua principal característica é o baixo índice de contratura capsular, proporcionando, assim, resultados mais estáveis e duradouros. Objetivo: O propósito deste estudo é demonstrar a experiência do autor com este tipo de implante nos últimos 14 anos. As vantagens e desvantagens de seu uso são analisadas, assim como as complicações, intercorrências e resultados. Alguns detalhes táticos da técnica cirúrgica, como escolha do volume e demarcação prévia da extensão da loja receptora, também são apresentados. Método: Um levantamento retrospectivo de 350 casos, divididos em três grupos de tempo pós-operatório, demonstra a evolução das pacientes com relação a estas intercorrências e complicações imediatas e tardias. Resultados: Os resultados pós-operatórios, tanto precoces como a longo prazo, são altamente satisfatórios, de rápida recuperação e baixo índice de complicações. Conclusão: O uso de próteses mamárias preenchidas com silicone coesivo e revestidas com película de poliuretano, apesar da maior dificuldade de manipulação, tem se mostrado uma excelente indicação para uso em aumento mamário, reconstruções, mastopexias e cirurgias secundárias, com contraturas capsulares graves.

INTRODUÇÃODesde o seu advento, as próteses mamárias de silicone introduzidas no arsenal da cirurgia plástica, idealizadas na década de 1960 por Cronin e Gerow¹, têm passado por inúmeras modificações, quer no aspecto industrial, quer nas táticas cirúrgicas, no sentido de minimizar os efeitos adversos e maximizar os resultados obtidos.Continuamente, as variações de densidade do gel, as barreiras de proteção para reduzir a transudação, assim como formatos e volumes, têm sido também modificados. A nosso ver, o mais avançado progresso nas últimas décadas foi o do revestimento de poliuretano vulcanizado na superfície dos implantes, que determinou uma efetiva redução nos índices de retração capsular, considerado o principal efeito adverso no uso dos implantes mamários de silicone. Segundo seu fabricante (Silimed – Rio de Janeiro, Brasil), são próteses lisas de todas as formas e volumes que passam por um processo de vulcanização com a espuma de poliuretano (Figura 1).


Figura 1 – Prótese mamária com gel coesivo e superfície com espuma de poliuretano.

A literatura2-12 tem registrado índices médios de 1% de contratura capsular em pacientes portadores de implantes com cobertura de poliuretano. Em nossa revisão de 350 casos pudemos constatar que somente três pacientes apresentaram contraturas grau lll de Baker13-15, o que significaria uma proporção de 0,86% dos casos operados.

Estes índices têm incentivado o seu uso entre os cirurgiões plásticos, não somente nos casos primários de aumento mamário, como nas mastopexias, reconstruções mamárias, assim como também nos casos secundários e terciários com contraturas de todos os tipos.

O uso sistemático de implantes revestidos com poliuretano já foi alvo de uma polêmica mundial no meio científico, a partir de uma nota publicada pelo Food and Drug Administration (FDA) nos anos 90. Solicitava a suspensão temporária da venda deste produto pelos fabricantes norte-americanos, com a alegação de que o uso do poliuretano seria potencialmente cancerígeno, segundo pesquisas realizadas em animais de laboratório. Porém, estes dados não foram cientificamente comprovados, e, no ano de 1995, após minuciosos estudos e pesquisas laboratoriais, e ainda apoiado na experiência clínica de dezenas de cirurgiões ao redor do mundo, o FDA16 retrocedeu na sua decisão, liberando sua comercialização por meio de uma declaração pública, onde afirma: “…estes implantes com cobertura de poliuretano são seguros e baixíssimas concentrações de TDA foram encontradas na urina destas pacientes…”.

Um retrospecto de inúmeras publicações científicas, tendo como autores cirurgiões de grande reputação no meio científico internacional, permite uma avaliação muito precisa quanto a seu uso e acompanhamento a longo prazo, enfatizando, todos, a drástica redução dos índices de contratura capsular2-12,17-21.

Diverso dos demais implantes quanto a seu processo de adaptação à loja receptora, as próteses revestidas com poliuretano apresentam as seguintes características: (1) elevada adesividade ao tecido mamário e aos tecidos adjacentes; (2) intensa resposta celular do organismo frente a sua presença como corpo estranho; (3) um processo peculiar de degradação do poliuretano; (4) singular formação da cápsula ao redor do implante.

A reação conhecida como processo de biodegradação do poliuretano gera uma gama de subprodutos conhecidos, tais como: Poliéster e TDI (toluenodiisocianato) onde, este último, por sua vez se dissocia em MDA (metilenodianilina) e 2-4TDA (toluenodiamina).

Este subproduto 2-4TDA foi, durante algum tempo, considerado cancerígeno após estudos realizado com roedores. As conclusões demonstraram ser este risco desprezível para espécie humana. Afirma a monografia produzida por Kerrigan6: “… com base em nossas investigações sobre a prótese mamária de cobertura de poliuretano, podemos afirmar que não encontramos nenhuma prova que sugerisse ser esta prótese um produto perigoso para uso interno em cirurgia. Ao contrário, os dados apresentados na literatura sugerem que este implante reduz sensivelmente a morbidade para as pacientes e a necessidade de cirurgias secundárias…”.

Outro detalhe de fundamental importância foi a acentuada diminuição dos índices de contratura capsular. Segundo estudos realizados por vários autores3-5,10-12,20,21, este fato se deve a duas causas fundamentais: a primeira de ordem física, onde a superfície irregular do implante tende à formação de um padrão não linear de fibrose cicatricial ao seu redor, impedindo assim a contratura esférica deformante; a segunda, de ordem biológica, onde ocorre intensa reação inflamatória de corpo estranho, que se caracteriza pela presença de células gigantes e macrófagos com fagocitose ativa que envolvem inúmeros fragmentos de poliuretano, e, assim formam milhares de microcápsulas ao redor do implante sem poder de coalescência e, portanto, não atuam sinergicamente, impedindo igualmente a formação da contratura capsular.

MÉTODO

Foram estudadas 350 pacientes entre os anos de 1995 e 2008, por meio da análise de seus prontuários. Destas, 293 pacientes foram casos primários de aumento mamário e 57 casos secundários apresentando as mais variadas queixas. Dentre estes casos secundários, 45 apresentaram retração fibrosa capsular graus III e IV de Baker e eram portadoras de próteses mamárias com outro tipo de superfície e com pós-operatório que variava de 1 a 21 anos.

Técnica operatória

Na avaliação do volume dos implantes, temos utilizado moldes de plástico com medidas preestabelecidas com o formato ovóide, que são adaptadas sobre as mamas. Simulam o volume que pode ser avaliado pela paciente durante a entrevista inicial, servindo também para visualização das assimetrias de forma e volume (Figura 2).


Figura 2 – A, B e C: Modelos ovóides de material plástico transparente com diversas dimensões utilizados para avaliação volumétrica do aumento das mamas. D: Quando vestindo uma blusa justa permite avaliar com maior precisão o volume desejado para os implantes.

A anestesia de rotina é sempre peridural, combinada com leve sedação. A anestesia geral e a local com sedação são empregadas quando necessário. Uma infiltração composta de solução salina e adrenalina na concentração 1/200.000 é realizada no espaço retromamário.

Duas demarcações cutâneas verticais e paralelas, a primeira ao longo da linha médio-esternal e a segunda na médio-clavicular, juntamente com o posicionamento do sulco mamário, delimitam a posição no tórax. Segue a demarcação da projeção cutânea da prótese sobre a região mamária. Esta manobra é complementada com pontos de injeção transcutânea, com azul de metileno, no tecido adiposo numa seringa de insulina para delimitar os limites de dissecção da bolsa para o implante da prótese, sempre cerca de 1 a 2 cm além de seus limites (Figura 3).


Figura 3 – A: Duas linhas verticais e paralelas, uma médio-esternal e a outra médio-clavicular orientam a centralização da prótese no novo cone mamário. B e C: Aspectos esquemáticos da demarcação cutânea com duas linhas concêntricas, a interna situada na borda da prótese, e a externa, cerca de 1 a 2 cm da anterior, pontos de injeção de azul de metileno demarcam o tecido adiposo subjacente no limite de dissecção.
D: Delimitação da área a ser manipulada.

A via de acesso preferencial tem sido a periarolar inferior, estando vinculada ao diâmetro das aréolas, ao volume das próteses e ainda, por vezes, ao desejo das pacientes (Figura 4). A nossa segunda opção é o sulco inframamário, sendo a via axilar utilizada somente nos casos de exceção.


Figura 4 – A: Detalhe transoperatório da via de acesso periareolar inferior. B: Prótese sendo inserida pela via de acesso periareolar.

A dissecção retroglandular subfascial no segmento superior deverá ser ligeiramente maior que o diâmetro do implante. A fáscia peitoral é alcançada após transfixarmos a glândula mamária na altura do limite inferior da aréola. A partir deste ponto é realizado um descolamento superior e lateral. A porção inferior é descolada no espaço retromamário até o limite do novo sulco. A gordura tingida com azul de metileno determina os limites da dissecção (Figura 5).


Figura 5 – Demarcação pré-operatória tinge a gordura com azul de metileno e determina os limites da dissecção.

As suturas finais são realizadas por planos anatômicos, com fios de nylon 3-0 para glândula, vicryl 4-0 para o tecido subdérmico e, por fim, sutura intradérmica contínua com fio de nylon 4-0, que será removida após 20 dias. Drenos de sucção serão utilizados somente em casos de exceção. Curativo compressivo com sutiã modelador e chumaços de algodão terminam o procedimento.

RESULTADOS

Com relação ao tempo de evolução, pudemos acompanhar 90% (315) das pacientes até o 6º mês, quando de sua alta provisória. Destas, 12,07% (38) retornaram entre o 1º e o 5º ano e 5,40% (17) foram revistas entre o 5º e o 14º ano.

O primeiro grupo, que foi acompanhado de 0 a 6 meses, apresentou as seguintes complicações ou intercorrências relacionadas à cirurgia:

3 pacientes apresentaram seroma unilateral;
2 pacientes apresentaram hematoma de médio volume;
2 pacientes apresentaram infecção unilateral e tiveram suas próteses removidas;

5 pacientes apresentaram rush cutâneo.

O segundo grupo que pode ser acompanhado entre o 1º e o 5º ano apresentaram as seguintes características:

3 pacientes apresentaram retração capsular grau III de Baker;
1 paciente solicitou diminuir o volume de suas mamas.

Dentre as pacientes que retornaram entre o 5º e o 14º ano:

3 pacientes solicitaram nova cirurgia por apresentarem flacidez secundária a amamentação ou perda de peso acentuada;
6 pacientes solicitaram o aumento de volume de suas próteses, apresentando mamas normais.

As Figuras 6, 7 e 8 ilustram os aspectos obtidos com estes procedimentos.


Figura 6 – A, B e C: Paciente com 29 anos, vista anterior perfil e lateral apresentando hipomastia moderada sem ptose e com pequena assimetria de forma e volume. D, E e F: Pós-operatório de 5 meses com próteses de 285 cc à direita e 305 cc à esquerda, perfil alto.


Figura 7 – A, B e C: Paciente com 35 anos de idade vista anterior, perfil e lateral do pré-operatório
apresentando normomastia e discreta ptose. D, E e F: Pós-operatório de 6 meses com próteses de 195 cc e perfil alto,
demonstrando melhora estética evidente.


Figura 8 – A, B e C: Paciente com 21 anos de idade, vista anterior, perfil e lateral do pré-operatório apresentando hipomastia e mamas tuberosas. D, E e F: Pós-operatório de 12 meses com implantes de 285 cc, perfil alto, sem nenhum tratamento específico no complexo aréolo-papilar, porém com resolução estética do problema.

DISCUSSÃO

Os implantes com coberta de poliuretano são de mais difícil manipulação pela própria textura aveludada. Sua penetração através de pequenas vias de acesso, assim como o seu posicionamento na bolsa dissecada, obriga cuidados maiores, dentre os quais a elaboração de uma bolsa maior do que o diâmetro da prótese. O seu deslizamento e a sua acomodação requerem ainda maior atenção para evitar dobras na sua borda que possam ser visíveis e/ou palpáveis, particularmente nas pacientes magras. As demarcações na pele com azul de metileno no limite da próteses, seguida de injeções transfixantes situadas cerca de um a dois cm fora desta linha para tingir a gordura abaixo, servem como referência para orientar os limites de dissecção. Sua característica de adesividade aos planos circunvizinhos também não permite qualquer tentativa de mobilização posterior, sendo portanto este processo de acomodação delicado, minucioso e definitivo. Durante o descolamento da glândula mamária, por qualquer via de acesso, quando alcançamos os pontos coloridos em azul, esses serão os limites de dissecção. Estaremos assim confeccionando uma loja sempre de dimensões adequadas ao tamanho do implante a ser introduzido equidistante do complexo aréolo-mamilar e posicionando com maior precisão o novo sulco mamário, evitando assim distorções de posição da prótese. Sem dúvida, uma eventual substituição no período pós-operatório imediato será mais trabalhosa e difícil, se comparado a outros tipos de implantes.

A nossa rotina compreende o uso profilático de antibióticos a base de cefalosporina 1 g endovenosa, de 6 em 6 horas, com início antes da cirurgia e mantida a via endovenosa por 24 horas. A antibioticoterapia permanece por mais 5 dias oralmente.

O período pós-operatório é marcado por uma certa tensão e estiramento da pele, tornando-se queixa comum a “sensação” da presença do implante durante os primeiros 30 dias. Pudemos avaliar que o grau de naturalidade da forma e maciez ao tato é evolutivo e gradual, podendo atingir até o 3º ou 4º mês. O uso de modelador justo, mas não apertado, repouso e limitação do movimento dos membros superiores, antibióticos, antiinflamatórios não hormonais e analgésicos, se necessário, faz ainda parte da conduta pós-operatória.

Também não indicamos qualquer tentativa de mobilização do implante por meio de massagem local, pois devido à característica de adesividade da prótese aos tecidos circunvizinhos, esta se tornará inócua. A liberação para as atividades habituais ocorre no final da 3ª semana pós-operatória ficando, no entanto, vedada a exposição solar e esportes até o 40º dia pós-operatório.

Intercorrências e complicações

Dentre as complicações pós-operatórias, tivemos dois casos de infecção unilateral, sendo identificadoStaphylococus epidermitis. Nestes casos, o implante foi retirado, a infecção debelada e a paciente reoperada 6 meses após. Foram detectados 3 casos de seroma no período entre o 2º e 3º meses pós-operatório, confirmados por ultra-sonografia mamária. Tratados com punção transcutânea utilizando-se cânula fina e romba, tiveram boa resolução. Dois casos de hematoma de médio volume no pólo superior foram tratados por aspiração transincisional. Cinco casos de “rush” cutâneo ocorrido nos primeiros 15 dias foram solucionados com o uso de corticosteróides sistêmicos. E, por fim, detectamos três casos de contratura capsular unilateral, grau III de Baker. Estas pacientes foram reoperadas e submetidas a capsulotomia radial, com ampliação da cavidade e colocação de novo implante.

CONCLUSÃO

Temos usado este tipo de implante há 14 anos, para casos de aumento do volume mamário, mastopexias que requeiram uso de implantes e reconstruções mamárias, com excelentes resultados. Porém, a mais notável indicação para o seu uso foi em pacientes que apresentavam retração fibrosa capsular grave decorrente do uso de implantes de silicone com outros tipos de superfícies (Figura 9).


Figura 9 – A, B e C: Paciente com 43 anos de idade, vista anterior, perfil e lateral do pré-operatório, submetido a prévio implante mamário com contratura a grau III de Baker. D, E e F: Pós-operatório de 4 meses com troca de próteses de 285 cc, perfil alto, tendo sido realizada capsulotomia e mastopexia.

A sistemática utilizada nos permitiu minimizar as intercorrências e/ou complicações pós-operatórias, atingindo assim bons resultados na grande maioria dos casos.

A naturalidade do efeito estético, a maciez ao tato – que é progressivo e altamente satisfatório -, e o baixo índice de complicações são características extremamente positivas dos implantes recobertos com poliuretano. Em que pese maior cuidado na confecção da loja que vai receber o implante, um processo mais trabalhoso na sua colocação ou uma eventual retirada precoce, os resultados obtidos superam, em muito, estas dificuldades, justificando o seu uso corrente tanto nas cirurgias estéticas quanto nas reparadoras.

Fonte:Revista Brasileira de cirurgia plástica
Por: Fran
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